Quem sou? Essa pergunta me instiga há muito tempo. Eu não sinto total segurança em respondê-la. Parece que se falo algo, está incompleto, portanto não dá a dimensão do meu existir.
Quem sabe posso responder: sou o ser existente em mim. É, nunca havia pensado nisso. Simplesmente sou aquela que existe em mim.
Amei ter a oportunidade de me lançar em conhecer um pouco sobre a filosofia existencialista, que me atravessou no dito anterior. Sou um ser singular, único, cheio de possibilidades de vir a ser, em constante capacidade de modificação. Sou livre para decidir sobre o que serei e sou, o que traz angústia, pois a cada escolha há um todo implicado.
Quando me remetia a refletir quem eu sou, limitava-me a pensar no que faço ou fiz, como por exemplo: sou estudante, cursei isso e aquilo, gosto de escrever, pensar bastante a respeito, etc. O que realmente sou eu? Apenas o que faço? Já consigo perceber, através do aqui transcrito, que estou indo além nessa compreensão.
Sou um ser que percebe e é percebido. Ao mesmo tempo que atravessa com uma compreensão é inúmeras vezes atravessado por compreensões a mim alheias. Por mais que eu viva e acredite que o que é real em mim é a realidade universal, outras pessoas vêem de acordo também com o que percebem, acreditando que o que é real em mim é o aceito por elas.
Devo exercitar um autoconhecimento contínuo, pois sempre terei o que descobrir.
Quando parei e me vi sem saber dar a resposta inequívoca a respeito daquilo que eu sou, fiquei angustiada, pois acreditava que deveria exisitir um conceito. Mas me atualizo, e creio que me modifico ao passar do tempo.
Talvez seja isso mesmo. Talvez eu seja sim algo definido, mas que se define em cada momento. Me perguntar sobre o que gosto de fazer, comer, beber, sentir, pensar, achar é uma ótima maneira de atualizar sobre mim mesma. Mas não vejo mais que algo irredutível ou impecável se adequará a mim.
Quem eu sou é fruto de minha relação com o mundo e principalmente comigo mesma. Quem eu sou é isso: aquela que existe em mim.
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